Diário de Bordo

Turma de abril: retratos de quem entrou na água pela primeira vez

07 de março de 2026 Por Capital do Remo 6 min de leitura

A turma de abril chegou ao fim na sexta passada. Quatro aulas, seis pessoas, um mesmo horário de terça e quinta, 6h30 da manhã. Começou com briefing em terra e aquele silêncio tenso de quem ainda não sabe onde pisar na canoa. Terminou com a turma inteira arrumando a OC-6 junto, conversando sobre próximo ciclo, trocando número de WhatsApp.

Entre um ponto e outro, coisas pequenas — mas decisivas — aconteceram com cada um. Escrevi esse diário em parte pra lembrar. Em parte pra quem lê, pensa em começar e não sabe o que esperar.

O que aconteceu em abril no fim da L4

Seis alunos, nenhum com experiência prévia em canoa havaiana. Três tinham feito SUP alguma vez; três nunca tinham tocado num remo. Primeira aula num sábado de manhã parada, céu claro, Lago Paranoá de vidro. Segunda aula, terça antes do trabalho. Terceira, ventou mais do que a gente queria e a turma aprendeu no susto. Quarta, saímos do trecho em frente ao Clube Nipo até a balsa Sonho Real e voltamos — a primeira “travessia pequena” deles.

Retrato 1: Rafa, a arquiteta que entrou com medo da água

Rafa chegou na primeira aula avisando, meio encabulada: “tenho medo de água desde criança”. Entrou na OC-6 com colete apertado e mão firme na borda. Passou a primeira remada inteira olhando só pra frente, sem conversar. No meio da segunda aula, largou a borda sem perceber. Na terceira, riu alto de uma piada do timoneiro — a primeira vez que ela riu na canoa. Na quarta, falou que queria continuar no próximo ciclo. “Não é que o medo sumiu”, disse. “É que ele virou paisagem de fundo.” Ficou.

Retrato 2: Clara e Bruno, o casal que veio “só experimentar”

Compraram juntos um pacote de quatro aulas “pra contar que fizeram”. Na primeira, Clara virou a canoa tentando sentar. Literalmente — entrou com pressa, desequilibrou, caiu. Saiu rindo, pegou toalha, voltou. Bruno, mais tenso, achou que ela ia desistir. Ela não desistiu. Na quarta aula, Clara estava no banco 2, puxando cadência, e Bruno no banco 5. Saíram discutindo quem ia entrar primeiro no próximo ciclo. Se entenderam no WhatsApp que os dois vão.

Retrato 3: Paulo, o executivo que trocou a academia pelo lago

51 anos, diretor financeiro, rotina de academia de bairro há 15 anos. Largou a academia no mês passado porque “não aguentava mais olhar pra parede de espelho”. Primeira aula, músculo firme, técnica zero — a força atrapalhava a remada, tirava o barco do eixo. Demorou duas aulas pra aceitar que potência não era o ponto. Na terceira, o instrutor falou uma frase que entrou forte: “canoa havaiana é quando seis pessoas remam como uma”. Paulo baixou o ritmo, a canoa andou mais. Virou cliente mensal.

Retrato 4: Mari, a estudante de medicina em turno pesado

Quinto semestre de medicina, plantão de 12 horas dois dias por semana. Chegou na primeira aula com cara de quem dormiu quatro horas. Falou pouco. Na terceira aula, apareceu mais animada do que a turma toda — tinha plantão até às 5h e veio direto pra canoa às 6h30. Disse depois que o lago era o único lugar onde o celular não tocava e ela não pensava em paciente. Ficou no próximo ciclo, só no horário de sábado, o que sobra pra ela.

Você volta para o dia diferente. É o que a turma de abril, sem combinar, disse de seis jeitos diferentes na última aula.

O que essas seis histórias têm em comum

Ninguém veio por causa de fitness. Ninguém veio porque já era esportivo. Todo mundo veio procurando outra coisa — presença, silêncio, paisagem, gente — e encontrou através do remo. A canoa havaiana acaba sendo um meio, não um fim. O fim é chegar no trabalho tendo atravessado o Paranoá de manhã cedo, e perceber que o dia inteiro segue com aquela luz no fundo da cabeça.

Quatro dos seis ficaram no ciclo de maio. Os outros dois voltam em junho, depois de viagem. Uma turma nova começa dia 7. É sempre assim — a casa respira por esses ciclos.

Perguntas frequentes

Como é uma turma de iniciantes de canoa havaiana?

Seis pessoas numa OC-6, instrutor no banco do meio ou conduzindo da margem, aula de 60 a 75 minutos. A turma é mista em idade e experiência — arquiteta de 38, estudante de 22, executivo de 51. Começa com briefing de 10 minutos em terra, depois é água.

Quantas aulas leva pra uma pessoa soltar a remada?

Três a quatro aulas, em média. Na primeira, o corpo aprende a posição. Na segunda, a remada entra em sincronia com a voz do timoneiro. Na terceira, o medo já saiu. Na quarta, a pessoa está remando sem pensar em como remar — é quando vira rotina.

Pessoas de qualquer idade podem começar?

Sim. Na turma de abril, o caçula tinha 22 e o mais velho 57. Canoa havaiana não exige potência — exige ritmo. É por isso que funciona pra quem quer começar a se mexer sem o estresse de academia, e pra quem quer algo técnico depois dos 50.

Dá pra começar sozinho, sem levar alguém?

A maioria chega sozinha. A turma de abril tinha um casal, mas os outros quatro vieram por conta. É uma das coisas mais bonitas da canoa havaiana em equipe: você entra numa OC-6 desconhecendo todo mundo, sai conhecendo cinco pessoas.

O que muda entre a primeira e a quarta aula?

Muda o corpo e muda a cabeça. O corpo aprende postura, pegada e respiração. A cabeça aprende a confiar na turma, soltar o medo de água e a entrar na cadência coletiva. Quem fica, quase sempre, fala que a quarta aula é quando entendeu o esporte.

Começar

A próxima turma de iniciantes começa em breve — horário fixo de terça e quinta de manhã, ou sábado cedo. Aula experimental fecha a vaga. Veja na landing como funciona a primeira remada ou chame no WhatsApp — a gente confere vaga e marca.

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